Pág. 4 - Volta para trás...
7 de Dezembro de 2002
A Inês para não variar está atrasada. A meia-hora já vai em cinquenta minutos. Recebo uma mensagem no telemóvel «Desce rápido, estamos atrasados». É engraçado como quem espera, rápidamente se torna atrasado. A Inês atrasa-se costantemente mas pede sempre desculpa, sabe que isso cala-me e evita os meus sermões. Vamos no carro da Inês. Detesto conduzir, além disso conduzo mal. Costumo dizer em tom de brincadeira, que é um dos meus lados femininos, mas só digo entre rapazes, nunca reajo bem àquele olhar feminino e-se-fosses-à-merda?
«Desculpa!» Eu não disse? Cumprimento-a.
«És uma larápia. Andas constantemente a roubar-me o tempo. Onde vamos?»
«Não queres que seja surpresa?» responde com um sorriso na cara.
«Depois destes anos todos só agora é que me levas para um hotel?»
«Não sejas parvo! Não estejas com esse tipo de humor de quem acabou de fazer um toque rectal, que eu prometo não te aturar!» A Inês no seu melhor. Calo-me por momentos. Ela interrompe o silêncio decidida a perdoar a minha insolência.
«O restaurante chama-se Sons e Sabores, dizem que é muito agradável» Sons e Sabores? É um nome engraçado. O tipo que o inventou, devia estar no dia mais inspirado da sua vida, é sempre difícil arranjar bons nomes para restaurantes; Casa do Pasto é um mau exemplo.
«Que jantar é este?» indaguei eu.
«Foram duas amigas da Maria que organizaram, não sei mais.»
«Um jantar organizado por amigas da Maria? Ou é comício ou angariação de fundos...»
«Não sejas chato! Agora sou eu que estou arrependida de te ter convidado.» Somos dois.
Finalmente chegámos. O restaurante tem bom aspecto, mas pelo número de carros estacionados, deve ser mesmo um comício. Detesto restaurantes cheios, parecem sempre cantinas do ciclo preparatório. Estamos realmente atrasados, nunca gosto de chegar atrasado nestas ocasiões, não por falta de respeito, mas porque assim sou obrigado a dar nas vistas. Espero ter lugar junto à porta.
M.
A Inês para não variar está atrasada. A meia-hora já vai em cinquenta minutos. Recebo uma mensagem no telemóvel «Desce rápido, estamos atrasados». É engraçado como quem espera, rápidamente se torna atrasado. A Inês atrasa-se costantemente mas pede sempre desculpa, sabe que isso cala-me e evita os meus sermões. Vamos no carro da Inês. Detesto conduzir, além disso conduzo mal. Costumo dizer em tom de brincadeira, que é um dos meus lados femininos, mas só digo entre rapazes, nunca reajo bem àquele olhar feminino e-se-fosses-à-merda?
«Desculpa!» Eu não disse? Cumprimento-a.
«És uma larápia. Andas constantemente a roubar-me o tempo. Onde vamos?»
«Não queres que seja surpresa?» responde com um sorriso na cara.
«Depois destes anos todos só agora é que me levas para um hotel?»
«Não sejas parvo! Não estejas com esse tipo de humor de quem acabou de fazer um toque rectal, que eu prometo não te aturar!» A Inês no seu melhor. Calo-me por momentos. Ela interrompe o silêncio decidida a perdoar a minha insolência.
«O restaurante chama-se Sons e Sabores, dizem que é muito agradável» Sons e Sabores? É um nome engraçado. O tipo que o inventou, devia estar no dia mais inspirado da sua vida, é sempre difícil arranjar bons nomes para restaurantes; Casa do Pasto é um mau exemplo.
«Que jantar é este?» indaguei eu.
«Foram duas amigas da Maria que organizaram, não sei mais.»
«Um jantar organizado por amigas da Maria? Ou é comício ou angariação de fundos...»
«Não sejas chato! Agora sou eu que estou arrependida de te ter convidado.» Somos dois.
Finalmente chegámos. O restaurante tem bom aspecto, mas pelo número de carros estacionados, deve ser mesmo um comício. Detesto restaurantes cheios, parecem sempre cantinas do ciclo preparatório. Estamos realmente atrasados, nunca gosto de chegar atrasado nestas ocasiões, não por falta de respeito, mas porque assim sou obrigado a dar nas vistas. Espero ter lugar junto à porta.
M.

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