Pág. 7 - Óculos cinzentos, camisola azul.
7 de Dezembro de 2002
Peço à Inês para me guardar o lugar mais perto da porta enquanto vou lavar as mãos.
É sempre um grande risco entrar na casa de banho de restaurante quando está cheio. Homens encostados à parede à espera da sua vez. Há aqueles que não gostam de esperar e enfiam-se nas casas de banhos para deficientes quando felizmente elas existem.
Enquanto lavo as mãos, um rapaz arranja minuciosamente o cabelo, depois a camisa, depois vê os dentes, as calças, volta ao cabelo, arranja a gola...
Nunca percebo porque é que os homens se preocupam tanto quando vão à casa de banho. Será que não percebem que não é por sairem da casa de banho mais arranjados que vai haver um volte face na noite? Acorda rapaz! Ela já olhou para ti, a não ser que em vez das caixas de preservativos, existam caixas de cirúrgia plástica instantânea, nada vai mudar.
Saio da casa de banho e passo pela mesa do rapaz do espelho, por acaso a rapariga é bonita, merecia preocupação, mas não tanta.
Dirijo-me para o meu lugar, do fundo do restaurante oiço «Golo!», ainda hesito, vou ver o golo ou não? Hoje era o jogo de Portugal, mais um de preparação para o nosso Euro 2004. Decido ir para o meu lugar. No percurso tento ouvir quem marcou o golo mas sem sucesso. Acredito na nossa selecção e acho que o Scolari vai fazer um bom trabalho, para mim, Portugal chegar à final já seria uma vitória.
Finalmente a porta e o meu lugar.
«Tanto tempo? Estiveste a medir?» pergunta a Inês. Ainda não me sentei e já se riem de mim.
«Estive e de facto nada feito, não é desta que conseguimos achar um lavatório lá para casa» a Inês ri-se e quem está por perto também. Parece que o efeito do toque rectal passou.
Não conheço ninguém. Estou na na última cadeira e do meu lado direito está a Inês. À minha frente com uns óculos cinzentos, está uma rapariga que conversa entretidamente com a Inês. Ficam-lhe bem os óculos.
M.
Peço à Inês para me guardar o lugar mais perto da porta enquanto vou lavar as mãos.
É sempre um grande risco entrar na casa de banho de restaurante quando está cheio. Homens encostados à parede à espera da sua vez. Há aqueles que não gostam de esperar e enfiam-se nas casas de banhos para deficientes quando felizmente elas existem.
Enquanto lavo as mãos, um rapaz arranja minuciosamente o cabelo, depois a camisa, depois vê os dentes, as calças, volta ao cabelo, arranja a gola...
Nunca percebo porque é que os homens se preocupam tanto quando vão à casa de banho. Será que não percebem que não é por sairem da casa de banho mais arranjados que vai haver um volte face na noite? Acorda rapaz! Ela já olhou para ti, a não ser que em vez das caixas de preservativos, existam caixas de cirúrgia plástica instantânea, nada vai mudar.
Saio da casa de banho e passo pela mesa do rapaz do espelho, por acaso a rapariga é bonita, merecia preocupação, mas não tanta.
Dirijo-me para o meu lugar, do fundo do restaurante oiço «Golo!», ainda hesito, vou ver o golo ou não? Hoje era o jogo de Portugal, mais um de preparação para o nosso Euro 2004. Decido ir para o meu lugar. No percurso tento ouvir quem marcou o golo mas sem sucesso. Acredito na nossa selecção e acho que o Scolari vai fazer um bom trabalho, para mim, Portugal chegar à final já seria uma vitória.
Finalmente a porta e o meu lugar.
«Tanto tempo? Estiveste a medir?» pergunta a Inês. Ainda não me sentei e já se riem de mim.
«Estive e de facto nada feito, não é desta que conseguimos achar um lavatório lá para casa» a Inês ri-se e quem está por perto também. Parece que o efeito do toque rectal passou.
Não conheço ninguém. Estou na na última cadeira e do meu lado direito está a Inês. À minha frente com uns óculos cinzentos, está uma rapariga que conversa entretidamente com a Inês. Ficam-lhe bem os óculos.
M.

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